Não sei se fico feliz ou triste com esse tipo de matéria. A notícia é importante porque, de certa forma, faz um chamado à participação popular, à intervenção dos cidadãos nas políticas públicas de sua comunidade (sua cidade, seu estado ou seu país). Mas, faz um apelo retórico ruim à suposta origem fundamental da democracia na Grécia. É um erro traçar qualquer paralelo da democracia contemporânea (ou os contornos que ela tomou, toma e tomará) com suas origens na Grécia. A História já se encarregou de desmistificar essa linha evolutiva do tempo. A democracia é um processo cheio de continuações e rupturas e a forma pela qual nós a conhecemos não está na Grécia, mas na Modernidade (filósofos como J. J. Rousseau são sim um marco importante, por exemplo, e não os gregos).quarta-feira, 4 de abril de 2012
Democracia Participativa e suas condições (?)
Não sei se fico feliz ou triste com esse tipo de matéria. A notícia é importante porque, de certa forma, faz um chamado à participação popular, à intervenção dos cidadãos nas políticas públicas de sua comunidade (sua cidade, seu estado ou seu país). Mas, faz um apelo retórico ruim à suposta origem fundamental da democracia na Grécia. É um erro traçar qualquer paralelo da democracia contemporânea (ou os contornos que ela tomou, toma e tomará) com suas origens na Grécia. A História já se encarregou de desmistificar essa linha evolutiva do tempo. A democracia é um processo cheio de continuações e rupturas e a forma pela qual nós a conhecemos não está na Grécia, mas na Modernidade (filósofos como J. J. Rousseau são sim um marco importante, por exemplo, e não os gregos).terça-feira, 3 de abril de 2012
prof. Ronaldo Porto Macedo da Faculdade de Direito da USP no Núcleo de Constitucionalismo e Democracia
PRof. e ativista Costas Douzinas na faculdade de direito da UFPR
Política Radical e Direito
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Questionamentos sobre Michael Sandel e o Livro "Justiça"
Mas, DISCORDO frontalmente do colunista!!!!
F. Wendpap ao final se mostra contra as teses de Sandel afirmando que o "Estado inibe a liberdade porque, a pretexto de futuro no qual as pessoas sejam boas e justas na perspectiva de quem está no poder, os indivíduos passam a ser tangidos como admirável gado novo."
Ao contrário meu caro, é justamente porque o Estado é (também) garantidor das liberdades que minorias podem romper grilhões e protestos podem irromper e fazer ouvir vozes que até então eram caladas. E mais, se as instituições muitas vezes reproduzem velhos hábitos, é com democracia que que se responde a tais práticas antigas e mofadas. É por meio da possibilidade de se questionar aquilo que está, que vige, que se pode começar a mudar sua realidade, seu local de trabalho, estudo, etc... e também (por que não?) o Estado!
O debate vai longe, mas parece-me que a conclusão foi equivocada. Que me desculpe o Ilustre Magistrado e bom colunista, mas, desta vez, fico com o M. Sandel!
http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1240020&tit=Inocencia-filosofal
Friedmann Wendpap
Inocência filosofal
As ideias apresentadas pelo filósofo Michael Sandel, professor da Universidade de Harvard, têm feito sucesso a ponto de haver propagação das aulas por vídeo na internet; viral intelectualizado, diferente dos tombos e gafes que fazem sucesso na rede, as preleções versam sobre o pensamento dos clássicos, explicados de modo acessível. Aristóteles, Hobbes, Rousseau, Bentham, Kant, Rawls se tornam simples de entender na leitura do livro Justiça – o que é fazer a coisa certa – ou assistir aos vídeos. Examinando problemas morais individuais e coletivos, o professor discute casamento homoafetivo, quotas para minorias, controle ou liberdade de preços em situação de calamidade, aborto, patriotismo, mostrando que a filosofia não é delírio de gente desocupada.
Ao viver em Estado desprovido de religião ou ideologia oficial as pessoas perdem as referências para reconhecer na liberdade de opinião, locomoção, conduta pessoal e empreendimento a maior conquista política da gente comum. As elites fruem liberdades em qualquer regime político. As elites sempre são livres. O povo é livre apenas quando se nega ao Estado o poder de incutir crença religiosa ou ideológica.Ao primeiro olhar a argumentação do professor-filósofo é encantadora porque, partindo de Aristóteles, afirma ser boa constituição política aquela que conduz os cidadãos para a honestidade e retidão moral e que há obrigações independentes da vontade do indivíduo, decorrentes da inserção numa classe e que, apesar da ausência de liberdade em relação a esses encargos, é possível ser livre. O encanto desmorona ao indagar quem define quais condutas são boas e quais, más? O que acontece com quem discorda e se conduz conforme suas próprias definições? Como alguém é livre se há moral do Estado?
domingo, 1 de abril de 2012
Entrevista com Michael Sandel
sábado, 31 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
www Constituição - constitucionalismo digital e internet
Pesquisadora defende “Constituição” para a web
Rebecca MacKinnon, pesquisadora e jornalista
Uma notícia causou alarde na internet francesa no fim de fevereiro. O Twitter havia bloqueado pelo menos sete contas relacionadas ao presidente Nicolas Sarkozy, que disputa a reeleição neste ano.
O Twitter não deu explicações, mas um e-mail recebido pelo dono de uma das contas foi publicado pela organização Internet Sans Frontières. A mensagem afirma que a conta foi suspensa por se passar pelo presidente francês – algo proibido de acordo com os termos de uso que os usuários tinham aceitado ao criar os perfis. Embora fosse uma paródia, não houve chance de argumentar contra o bloqueio. Só depois da reação, a conta foi liberada. Outras continuavam bloqueadas.
Reprodução
Consent of the Networked, ainda sem tradução no Brasil
O caso não é o único, muito menos o primeiro. Mas exemplifica o que a pesquisadora e jornalista Rebecca MacKinnon considera ser um dos maiores embates políticos do século 21: como lidar com as forças de poder que regulam a internet e controlam o que as pessoas podem ou não fazer na rede?
Em seu livro Consent of the Networked (Consentimento dos Conectados, em tradução livre), publicado no fim de janeiro nos Estados Unidos, ela estende o argumento que tem defendido em palestras e artigos, de que a internet está chegando em um momento em que é preciso criar uma espécie de Declaração dos Direitos que limite os poderes na rede, tanto de governos quanto de empresas que lidam com milhões ou bilhões de usuários diariamente.
Rebecca compara o momento atual ao que deu origem à Magna Carta na Inglaterra em 1215, quando os nobres, cansados de decisões arbitrárias, forçaram o rei John a assinar um documento que limitava seus poderes.
Confrontos como a recente reação às leis antipirataria nos EUA serão mais frequentes nos próximos anos?
Acredito que sim. Usuários de internet estão acordando e descobrindo que os políticos estão aprovando leis que até buscam solucionar problemas legítimos, mas estão fazendo isso de uma maneira que corrói os direitos dos usuários. As pessoas estão se dando conta que precisam prestar mais atenção e mesmo se engajar no ativismo político para que esta tendência seja revertida.
Quais outros setores da economia têm interesse em aumentar o controle sobre a internet?
No caso das leis de copyright, há uma clara divisão entre a indústria de tecnologia e a indústria do entretenimento. No caso da Sopa e Pipa (Stop Online Piracy Act e Protect IP Act), os interesses da sociedade civil e os da indústria da tecnologia estavam alinhados. Este nem sempre é o caso. Em temas como neutralidade da rede, por exemplo, a indústria de tecnologia e a sociedade civil estavam divididas.
Pesquisadores que participaram da criação da internet acreditavam que ela poderia desconstruir das estruturas de poder. Um ‘consentimento dos conectados’ é contrário a esta ideia libertária?
A internet se tornou valiosa demais política e economicamente para manter os governos e corporações fora dela. Esta é a realidade. E também os cidadãos de países democráticos estão constantemente exigindo que seus políticos tomem medidas para impedir que “os bandidos” façam coisas ruins na internet, como cometer crimes, ataques on-line, perseguir menores de idade, e assim por diante. Mas também precisamos exigir que a administração do ciberespaço deva se basear no consenso dos governados, em outras palavras, o consenso dos conectados. Aqueles que exercem o poder em nossas vidas digitais devem ser responsabilizados e pressionados. O poder deve ter restrições e controles para que ele não seja abusado.
Facebook e a Apple têm criado seus próprios ambientes de publicação, regulados por suas regras. O poder das empresas de internet cresceu demais?
Cresceu mais do que as pessoas se dão conta, e é por isso que eu argumento que as empresas também devem ser responsabilizadas, e que nós devemos esperar que elas respeitem e atuem sob os princípios dos direitos humanos universais.
Que tipo de temas uma ‘Constituição da internet’ deve cobrir?
Há três elementos de poder no ciberespaço: governos, companhias e cidadãos. Portanto, os governos devem se comprometer a assegurar que as leis relacionadas à internet não corroam os direitos fundamentais dos usuários de livre expressão e de privacidade. As empresas devem se comprometer a construir e gerenciar suas plataformas e serviços de maneira que respeitem e apoiem os princípios dos direitos humanos. E os cidadãos devem ter o direito de exigir que a internet seja governada, programada, edificada e gerenciada de forma compatível com a democracia e os princípios dos direitos humanos
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sábado, 24 de março de 2012
O Paciente de R$ 800.000,00 - direito à saúde; ativismo judicial; diálogos institucionais
Um excelente caso, mto bem descrito pela reportagem, para pensarmos sobre o direito fundamental a saúde; reserva do possível; ativismo judicial; diálogos institucionais; etc.Ressalto aqui o exemplo de Londres citado pela reportagem. Uma tentativa imperfeita, mas com algum resultado. Talvez um indicativo de que o que vimos reiteradamente afirmando aqui nesse espaço, no Núcleo Constitucionalismo e Democracia da UFPR, de que o diálogo institucional (entre os diferentes poderes e os agentes de cada poder) pode propiciar melhores decisões, mais adequadas. Nesse sentido, é mais do que bem vindo um papel pró-ativo do judiciário no sentido de, deliberativa e democraticamente, encontrar uma solução mais democrática e adequada através da promoção do diálogo ao invés de emitir todo tipo de decisão judicial.
http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2012/03/o-paciente-de-r-800-mil.html
O paciente de R$ 800 mil
A história do rapaz que recebe do SUS o tratamento mais caro do mundo revela um dos maiores desafios do Brasil: resolver o conflito entre o direito individual e o direito coletivo à saúde
Como Rafael Favaro ganhou uma briga jurídica e um tratamento de primeiro mundo
O que o caso de Rafael ensina sobre a saúde pública brasileira
Ninguém quer a morte de Rafael. Nem de qualquer outro doente que recorre à Justiça para conseguir outros medicamentos caríssimos.
Mas, quando são obrigados a fornecer remédios caros da noite para o dia (ao preço que o fabricante se dispõe a vender), os gestores do orçamento público da saúde tiram o dinheiro de outro lugar. Com isso, milhares (ou milhões) de cidadãos perdem. A verba destinada à compra de um frasco de Soliris seria suficiente para garantir milhares de doses de anti-hipertensivos e de outros medicamentos baratos que atingem a maior parte da população. Sem interrupções. É preciso reconhecer que priorizar o direito individual em detrimento do direito coletivo tem consequências sobre a saúde pública.
Capítulo 3
E se Rafael fosse inglês?